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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Pauta: ponto de partida

Essa é pra quem não foi na aula do dia 5 de setembro:
Há cinco tipos básicos de pauta:



1) o que cobre um fato: um avião que acaba de cair, a renúncia de um ministro, uma bala perdida que atinge uma criança.

2) a que desdobra um fato: por exemplo, o governo anuncia um projeto de TV estatal, e o repórter propõe como pauta mostrar quanto já se gasta com as TVs estatais que já existem
3) a que usa um fato como gancho: motivado pelos projetos que propõe aumentar penas de prisão ou impedir que presos sejam beneficiados por redução de pena, um repórter propõe mostrar o que acontecerá com os sistema prenitenciário se mais gente ficar mais tempo presa (o sistema "explode", já que não haverá vagas para todos)
4) a que parte de investigação independente: o repórter vai às principais ruas comerciais da cidade e verifica que metade delas não têm lixeiras, ou percorre as principais avenidas e constata que 90% das bocas de lobo estão entupidas
5) a que surge do contato próximo com uma fonte: estudos exclusivos, planos de governo que são passados só a um repórter porque a fonte confia nele.


Seja qual for o tipo de pauta, tenha em mente que ela é apenas o primeiro passo para a sua reportagem. Entre o fato e a notícia, tem um processo ultra importatne (e muitas vezes negligenciado): a apuração.

A imprensa no cinema

Começou hoje a 6ª edição do RECINE - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE ARQUIVO, que vai até sexta, dia 14, no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.


Em sua sexta edição, o tema do festival é A IMPRENSA NO CINEMA. Serão exibidos filmes que tratam da realidade nas redações de jornais, revistas, estúdios de televisão e rádio; além dos noticiários da tela grande, uma vez que o cinema também foi imprensa por intermédio dos cinejornais. Haverá, como todos os anos, convidados para mesas de debates, palestras, homenagens e a IV Mostra Competitiva de filmes e vídeos a partir de imagens de arquivo. Uma exposição fotográfica irá resgatar a memória do Jornal Correio da Manhã, periódico brasileiro de resistência democrática que foi criado em 1901 e permaneceu até 1974. O recine é organizado pelo Arquivo Nacional e patrocinado pela Petrobras, pelo BNDES e pelos Correios.








Para conferir a programação, que inclui inédito de Pasolini e diversos filmes que narram a proximidade de jornalismo e cinema, visite o site do Recine.








A festa de encerramento contará com apresentação do show Plantão de Notícias.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

A invasão do jornalismo

Quem está acompanhando (e quem até o momento nem sabe do que se trata) a repercussão da conversa dos dois juízes do STF pela intranet não pode deixar de ler o artigo que Janio de Freitas publicou domingo na Folha de São Paulo, reproduzido abaixo:

Não há dúvida de que os diálogos seriam atos privados. Mas não significa que ocorressem em privacidade

A RELAÇÃO entre jornalismo e invasão de privacidade é muito mais complexa do que aparenta na intensa discussão, desde quinta-feira, a partir do diálogo de e-mails publicado pelo "Globo", que os captou fotografando os computadores de dois ministros em sessão do Supremo Tribunal Federal.

Onde haja liberdade de imprensa, não consta que jamais se tenha ao menos esboçado solução satisfatória, em teoria ou na prática, para o conflito entre jornalismo/interesse público, de uma parte, e sigilo/interesse estrito, de outra. A dubiedade domina essa fronteira. Os casos de nitidez indiscutível de invasão, antes escassos, com a permissividade da internet às inserções mais levianas, ou criminosas mesmo, na "rede" tornaram-se tão vulgares quanto impunes.

As reações condenatórias referem-se, portanto, ao jornalismo impresso. E, no caso, nem elas guardam nitidez conceitual, jurídica ou intelectual. As fotografias dos computadores, feitas à distância dos dois ministros, e a publicação dos diálogos foram definidas por Nelson Jobim como "interceptação de comunicação" e "intromissão anticonstitucional a um Poder da República". Interceptação não foi. Como a todo ministro da Defesa conviria saber, interceptar é interferir em um percurso pretendido, seja de um avião, de uma tropa, de uma mensagem, de carga, entre inúmeros possíveis. Houve constatação e documentação do constatado. Sem intervenção alguma na livre troca de mensagens entre os dois ministros.

Já a eloqüente "intromissão anticonstitucional a um Poder da República", lembra logo alguma coisa, antes de sujeitar-se ao reparo de que as fotos e a publicação, tanto não se "intrometeram" de forma alguma em Poder nenhum, que o próprio Supremo Tribunal Federal as considerou referentes a mensagens apenas pessoais, desprovidas de conotação oficial, e por isso dispensou-se de toda manifestação a respeito. A "intromissão anticonstitucional" de Nelson Jobim lembra logo que se trata do autor, valendo-se da tarefa de revisor gráfico, da intromissão no texto da atual Constituição de artigos não aprovados, e nem ao menos conhecidos, pela Constituinte de 1988. O que não impediu o autor da autêntica "intromissão anticonstitucional" de chegar a presidente o STF -fato que, se não o define, porque já se definira, pode definir o país.

Em nota, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (nome historicamente tomado como sinônimo de defesa da liberdade de informação) pôs o assunto sob uma comparação que não sei se mais surpreendente ou mais insultuosa para o jornalismo: "O Brasil não pode virar um "Big Brother'". Seja o daqui ou a matriz plagiada, o "Big Brother" faz parte do processo de imbecilização imposto pelo método de nivelamento por baixo, muito adotado em meios de comunicação, para mais faturar em publicidade com o maior número de telespectadores/ouvintes/leitores. É impossível que Cezar Britto não se tenha inquietado com a evidência, proporcionada pelas fotos e publicação dos diálogos, de que a aposentadoria precipitada do hoje ex-ministro Sepúlveda Pertence e a escolha de seu substituto têm, até agora, injunções políticas e partidárias que se sobrepõem aos critérios apropriados para o Supremo. Estar próximo de quem fala ao telefone e, notado o interesse público do que é dito, noticiá-lo; ou ouvir, de fora de um gabinete, um diálogo de interesse público e noticiá-lo -são atos de invasão de privacidade ou de função do jornalismo? Essas e situações semelhantes ocorrem todos os dias, aqui e pelo mundo afora, desde que o jornalismo é jornalismo. E haverá diferença essencial, para a função do jornalismo e para o interesse público, entre o que é ouvido sem uso de interferência física e o que é lido em computadores de tela voltada para o público?

Em certa medida, não há dúvida de que os diálogos de tais situações seriam atos privados. Mas, embora a contribuição de uma palavra para a outra, por serem privados não significa que ocorressem em privacidade. Foram deixados por seus autores ao alcance de terceiros. E não importa quantos terceiros.Os ministros Cármen Lúcia Rocha e Ricardo Lewandowski nada escreveram, nos diálogos fotografados e publicados, que os comprometesse, moralmente, como pessoas ou como magistrados. Se foram desavisados, o foram por conta própria. O que torna injusto atribuir ao repórter-fotográfico Roberto Stuckert e ao seu jornal menos do que a alta qualidade do jornalismo que praticaram. Ou seja, da função pública que têm e exerceram.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Radiobrás coordenará Jornalismo da TV Brasil

O ministro-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Franklin Martins, confirmou ao presidente da Radiobrás, José Roberto Garcez, que Brasília terá a chefia de Jornalismo da nova TV pública do governo federal. “Assim como faz sentido que a sede administrativa e de programação seja no Rio, para manter uma distância do poder e pela tradição cultural da TVE, o Jornalismo será aqui em Brasília, com a expertise do serviço da Radiobrás. Essa decisão só confirma a linha que a nova TV seguirá”, comemorou Garcez.
Segundo o site Comunique-se, a fusão da futura TV Brasil com a TVE carioca ainda não mudou a rotina da empresa, mas em setembro a programação das duas emissoras deverá estar unificada. Um grupo de conteúdo, com representantes das duas TVs, discute a união das programações já há alguns meses. Outros três grupos debatem questões técnicas, jurídicas e de gestão. O governo deve escolher em breve onde ficarão as instalações da emissora em São Paulo. “Precisamos que isso esteja definido até o fim deste mês”, frisou Garcez.
Para que novas contratações sejam feitas, deve-se definir também o formato jurídico na rede, que englobará o escritório da Radiobrás. “Por enquanto, a nossa responsabilidade é manter a qualidade dos nossos serviços enquanto a Radiobrás existir. Mas achamos que, com Radiobrás e TVE Brasil juntas, podemos fazer algo ainda melhor”, disse o gaúcho Garcez.
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